A prática
do Judô se eleva além de um simples esporte, ela permeia a índole ética e
física do indivíduo, alterando seu relacionamento com a sociedade. Isso porque
seus princípios transcendem os valores da cultura ocidental, marcada por
heranças europeias de escravidão e poder aristocrático, gerando a capacidade
individual de superação, a harmonia entre o corpo e a mente e, por fim, disciplinando
o praticante.
A arte do suave
caminho (como pode ser traduzido seu nome) busca a superação do indivíduo sobre
si mesmo, tornando-o melhor para a sociedade. Nessa filosofia, o próprio Jigoro Kano, criador da arte centenária,
embutiu em “Kodokan Judo” o propósito
vital do aprender para o crescimento, onde cada queda representaria, em divergência
do que diz o código de honra Bushido,
uma oportunidade para se levantar e tomar para si um aprendizado.
A arte
marcial também desenvolve o corpo e a mente em função daquele que a pratica. “O
uso de máxima eficiência de mente e corpo”, como coloca o Instituto Kodokan,
busca para a perfeição de uma técnica, o aperfeiçoamento dos músculos e
capacidades motoras, além da sincronia com as respostas cerebrais.
Seus ensinamentos
tornam a pessoa devota à sociedade, de forma a educar e transmitir disciplina a
todos. O Judô, assim como outras artes marciais, prega a seus aprendizes
rigidez de horários, empenho em treinos, o respeito em sala e a apreciação dos
mais experientes. Assim, por todo país, eclodiram ações sociais que promovem a
integração social para jovens em situação de risco, às quais é atribuída enorme
efetividade.
Em termos
gerais, o crescimento do Judô é uma ferramenta para o desenvolvimento saudável
da sociedade, uma vez que esse estilo de vida promove a ascensão pessoal para
outros patamares de desenvoltura ética, física e intelectual do praticante.
Saulo da Paz Almeida, Nikyu.